A infância na UTI

Resultado de imagem para criança tristeOs adultos da minha geração estão adoecendo as crianças, ainda que não intencionalmente. Mas, sim, nossas crianças estão doentes e vêm emitindo pedidos de socorro, que nem sempre – ou quase nunca – são ouvidos.

Elas falam, disso ninguém precisa duvidar. “Minha mãe nem conversa, só fica no computador. Meu pai não larga o celular.” Sinais claros de carência afetiva, de falta de presença, de afeto limitado. Triste. Mas não é tudo.

Excesso de compromissos, cada vez mais exigentes, impede as crianças de serem… crianças. “Meu filho faz cinco atividades extras. Não tem tempo para nada.” Eu sou da teoria de que mais vale formar a inteligência emocional dos pequenos seres humanos, fortalecendo-os para o mundo que vão encontrar quando estiverem mais velhos, do que sobrecarregá-los de compromissos. Ser adulto é equilibrar-se entre obrigações, problemas, afazeres etc. A criança não tem estrutura psicológica para receber um fardo que ainda não é dela.

Ser mãe e pai hoje é diferente de antes, em diversos aspectos. Só não podemos aceitar que a rotina agitada da atualidade exija que abramos mão daquilo que é fundamental: educar os filhos de modo que eles sintam segurança naqueles que são suas referências e, consequentemente, cresçam confiantes em si mesmos.

Poucas situações me comovem tanto quanto uma criança desamparada, seja qual for a forma de desamparo – financeiro, escolar, afetivo. Um presente não substitui a presença. Mas essa troca é mais comum do que imaginamos.

Estou preocupada, como mãe, professora, ser humano. Precisamos cuidar das nossas crianças. Porém, enquanto a meta dos adultos for em ter humanos e fazer humanos, como disse uma amiga minha outro dia, com o ser menosprezado desde a infância, o resultado será um futuro povoado por mentes adoecidas, inseguras, em pânico.

Marina Carvalho nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais. Adora ler: seja um grande romance, um bom livro policial ou um chick-lit despretensioso. Formou-se em Jornalismo pela PUC-Minas e exerceu o cargo de assessora de comunicação de uma empresa por sete anos. Hoje, além de autora de sucesso para o público jovem, tendo vendido dezenas de milhares de exemplares de cada um de seus livros, é professora de Língua Portuguesa e Literatura.

Publicado em Notícias
3 comentários sobre “A infância na UTI
  1. Mayra Carvalho disse:

    Ótima reflexão!!! 👏👏👏👏👏

  2. Ana disse:

    Concordo em número, gênero é grau. O que mais peço a Deus: sabedoria e equilíbrio para educar minha filha de forma que seja uma adulta segura paratrilhar seu caminho.

  3. Camila Juanita disse:

    Pois é. Aqui em casa sempre debatemos a impotância da presença real, das conversas desinteressadas e dos carinhos inesperados no convívio familiar. Infelizmente, pra prejuízo de toda sociedade, muitos pais utilizam os aparelhos eletrônicos como babás, deixam seus filhos á mercê da internet e jogos. Além de ocupar o tempo que estão ausentes com atividades e mais atividades com a desculpa de que estão preparando seus pequenos para a vida. Ledo engano! Não estão preparando coisíssima nenhuma, muito pelo contrário, estão entregando de mãos beijadas essas joias que precisam ser lapidadas, esculpidas e contempladas diariamente. Qual o resultado disso tudo? O triste questionamento: “onde foi que eu errei?” “O que faltou pra você?” Que sejamos capazes de acordar e socorre-los enquanto ainda temos tempo.

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