Estive nos últimos dias num lugar muito tranquilo, daqueles do tipo bucólico, que induzem a uma boa pisada no freio e propiciam reflexões. Fiz as duas coisas, ao mesmo tempo. E também aproveitei pra observar a vida, como de costume. Vi pessoas de todo tipo, comportando-se e vestindo-se do jeito delas. Hippies, descoladas, retrô… Ouvi discussões existencialistas, bate-papos despretensiosos, conversas sobre futebol, tempo e política. Teve gente dançando quando ninguém mais estava, gente sem casaco no frio e encapotado como se o Alasca fosse aqui. Enfim, o que estou tentando expressar é que o sentido da felicidade e da paz de espírito, para mim, está no fato de não julgar o modo de viver dos outros e procurar agir sem preocupação com a opinião alheia. Fácil não é. Por isso me retiro da rotina de vez em quando. Saio do meu lugar-comum pra fazer laboratório da vida. Tem funcionado. (16/04/2017)

De vez em quando me perguntam qual é a essência da minha escrita? Assim, de supetão, não sei explicar. É certo que meus textos não nascem de forma mecânica; não escrevo com o objetivo de, mas sim, por causa… As palavras meio que traduzem quem sou, ainda que de modo fictício, fantasioso, imaginário.
Tenho medo de dizer que faço arte, entretanto. Existe um discurso tão prepotente sobre o conceito artístico que prefiro me manter reticente nesse sentido.
Então fica assim –> para aqueles interessados em entender meus porquês, eis uma tentativa de justificá-los: escrevo porque vivo e sinto e observo e me incomodo e anseio. E tudo isso junto aciona uma engrenagem aqui dentro do meu peito, forte, acelerada, que só acalma quando tudo vira palavras em forma de histórias.
Acho que é isso. Apenas acho… (17/02/2017)

— Pois bem, esta é a lista de leitura do trimestre. Não é preciso comprar os livros. Quem preferir pode pegar emprestado ou em bibliotecas. Também recomendo o site Estante Virtual. Lá os títulos costumam ser vendidos por preços bem bacanas.
Uma mão se ergue no ar:
— Professora, eu prefiro tirar xerox.
— Mas isso não é legal, no sentido literal E figurado.
— Uai, por que não? Todo mundo faz…
— O que não legitima a ação, meu aluno. É errado, uma violência contra os direitos autorais. Veja bem (blábláblá).
Alguns minutos depois:
— Nossa, professora, você é tão radical!
Não, sou educadora e não desisto nunca, nem que precise repetir esse discurso o ano inteiro e além. (09/02/2017)

Paro uma frase que estou tentando formular para atender o telefone. É um dos meus tios querendo conferir comigo o número do celular da minha mãe. No meio do assunto ele se interrompe e me diz:
— Ah, li seu livro ‘A menina dos olhos molhados’ numa sentada no fim de semana. Quase me apaixonei pela Rafaela também.
Achei graça do comentário. Esse tio, que é meio sisudão, está se mostrando um assíduo leitor dos meus romances. Muito fofo isso.
Obs.: Decido não marcá-lo nesta publicação porque sei que ele não ficaria muito feliz comigo. (19/01/2017)

Hoje estou um tanto Cecília, um pouco Clarice e até Cora. Deve ser esse sentimento contraditório que sempre me consome nos 18 de janeiro.
“Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil” – Cecília Meireles (18/01/2017)

Debaixo de um sol escaldante, mas feliz por estar de férias, caminho apressada até o banco. Lá tem ar condicionado! Nem ligo se tiver que mofar na fila. Então escuto meu nome. Olho para trás e vejo uma mocinha e sua mãe vindo depressa em minha direção.
— Marina! Ah, que coincidência! Acabamos de comprar seu livro para dar de presente. Poderia autografá-lo?
Sorrio um tanto envergonhada e, claro, digo que sim. As pessoas na rua passam observando a cena sem entender.
— Nós já lemos todas as suas histórias — a mãe me conta. — E adoramos, especialmente a série da Ana.
Meu sorriso se alarga; os olhos marejam.
Depois que termino a dedicatória, cuidadosamente elas devolvem o livro para a embalagem de presente e me agradecem.
— Imagina! Eu que agradeço.
Chego ao banco meio atordoada, com apenas uma certeza na cabeça: amo meus leitores e sempre farei o possível para deixá-los felizes, escrevendo por e para eles. (05/01/2017)

Quando estou chateada, o que faço? ESCREVO.
Quando estou empolgada: ESCREVO.
Quando estou de férias: ESCREVO.
Quando prazos esmurram minha porta: ESCREVO.
Então, não, não é um sacrifício, não é maçante. É adrenalina, é paixão e, claro, é meu trabalho.
Estressa? E como!
Apavora? Muito.
Mas é essa roda-gigante de emoções que tempera minha escrita. Sou das letras, arrebatada por elas, com todo o meu amor. (20/12/2016)